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Agriculutura / ILP

Germisul Agriculutura / ILP

Palhada a Nova Solução

1 – INTRODUÇÃO

O Brasil passou por muitas mudanças econômicas na década de 90, que de certa forma, contribuíram para a abertura do comércio internacional, aumento da competividade, busca por novas alternativas tecnológicas e melhoria da qualidade dos produtos em vista da exigência do consumidor internacional.

Até o final da década de 60 a pecuária era usada por grandes latifundiários para caracterizar a posse da terra. Historicamente, o sistema de produção predominante era extrativista, sobre pastagens nativas, sem preocupação com investimentos e adoção de tecnologia. No entanto, este perfil tem mudado em vista dos altos custos de produção e o empresário rural tem buscado alternativas para sobreviverem.

Um dos maiores problemas enfrentados na pecuária nacional, pelo fato de ser basicamente a pasto, é a degradação das pastagens. Em uma pastagem degradada a produtividade está em torno de 2 arrobas/ha/ano, enquanto que em uma pastagem bem manejada e em bom estado pode atingir, em média, 16 arrobas/ha/ano. Desta forma, uma maneira de diminuir os custos com a recuperação ou formação de pastagens é através do plantio da gramínea com uma cultura de grãos.

2 – SITUAÇÃO DAS PASTAGENS BRASILEIRAS

A área de pastagem, com espécies cultivadas no Brasil está em torno de 115 milhões de hectares (ha), enquanto a área com pastagem nativa é de 144 milhões. Estas áreas abrigam cerca 195 milhões de cabeças de bovinos o que proporciona uma taxa de lotação de 0,75 cabeças por hectare e uma produção de cerca de oito milhões de toneladas de equivalente carcaça.

Contudo, os solos que estão sob estas pastagens são, em sua maioria, pobres, com um horizonte com argilas de baixa atividade, que consiste de uma mistura de caolinita, óxidos de ferro e quartzo e com um baixo conteúdo de minerais. Conseqüentemente, as forrageiras nativas existentes sobre estes solos apresentam uma baixa produtividade e as forrageiras estabelecidas, mediante correção do solo, para a formação destas pastagens, têm apresentado, em curto período de tempo, um acentuado declínio em sua produtividade. Este curto período de utilização da pastagem cultivada está intimamente relacionado ao insuficiente fornecimento de nutrientes do solo para a espécie forrageira introduzida o que leva a sua degradação.

Entende-se por degradação de pastagem “o processo evolutivo da perda de vigor, de produtividade, de capacidade de recuperação natural das pastagens para sustentar os níveis de produção e qualidade exigida pelos animais, assim como, o de superar os efeitos nocivos de pragas, doenças e invasoras, culminando com a degradação avançada dos recursos naturais, em razão dos manejos inadequados “ (Macedo, 1993).

2.1 – SUCESSÃO DE CULTURAS COMO FORMA DE RECUPERAÇÃO DAS PASTAGENS DEGRADADAS

Atualmente, sistemas mistos de exploração de lavoura e pecuária têm chamado a atenção pelas vantagens que apresentam em relação aos sistemas isolados de agricultura ou de pecuária. São os chamados Sistemas Integrados Lavoura-Pecuária ou, simplesmente, Integração Lavoura-Pecuária (ILP). A integração lavoura-pecuária pode ser definida como a diversificação, rotação, consorciação e/ou sucessão das atividades de agricultura e de pecuária dentro da propriedade rural de forma harmônica, constituindo um mesmo sistema, de tal maneira que há benefícios para ambas.

Possibilita, como uma das principais vantagens, que o solo seja explorado economicamente durante todo o ano ou, pelo menos, na maior parte dele, favorecendo o aumento na oferta de grãos, de carne e de leite a um custo mais baixo devido ao sinergismo que se cria entre a lavoura e a pastagem (Alvarenga, 2004).

2.2 – OBJETIVOS DA INTEGRAÇÃO LAVOURA – PECUÁRIA

Os principais objetivos da ILP podem ser enumerados como se segue:

2.2.1 – Recuperação ou reforma de pastagens degradadas.

Este é o principal objetivo da integração. Nesse sistema, as lavouras são utilizadas a fim de que a produção de grãos pague, pelo menos em parte, os custos da recuperação ou da reforma das pastagens. Na área da pastagem degradada, cultiva-se grãos por um, dois ou mais anos e, depois, volta-se com a pastagem, que vai aproveitar os nutrientes residuais das lavouras na produção de forragem. Para evitar outro ciclo de degradação, é necessário elaborar um cronograma de adubação de manutenção da pastagem recém-implantada (Alvarenga, 2004). È importante salientar que para a maioria dos solos de Minas Gerais, assim como do Brasil, caso não sejam feitas adubações de manutenção, esse método dá resultado nos primeiros dois ou três anos. Após esse período, a pastagem sofre novo ciclo de degradação, devido ao esgotamento dos nutrientes que entraram no sistema via adubação das lavouras. Então, é necessário cultivar lavouras novamente na área para reposição de nutrientes (Moraes, 1993).

2.2.2 – Melhorar as condições físicas e biológicas do solo com a pastagem na área de lavoura.

As pastagens deixam quantidades apreciáveis de palha sobre o solo e de raízes no perfil do solo. Isso tende a aumentar a matéria orgânica, que é fundamental na melhoria da estrutura física do solo. Ela também é fonte de carbono para os meso e os microrganismos do solo. Além disso, a decomposição das raízes cria uma rede de canalículos no solo de importância nas trocas gasosas e uma movimentação descendente de água (Moraes, 1993, Macedo e Zimmer, 1993). Esse novo ambiente, criado no solo pela ILP, é fundamental para impactar positivamente tanto a sua sustentabilidade quanto a produtividade do sistema agropecuário.

2.2.3 – Recuperar a fertilidade do solo com a lavoura na área de pastagens degradadas.

A correção química do solo e a adubação para cultivo de lavouras recuperam a fertilidade do solo, aumentando a oferta de nutrientes para o pasto e, por conseguinte, o seu potencial de produção (Alvarenga, 2004).

2.2.4 – Produzir pasto, forragem conservada e grãos para alimentação animal na estação seca.

Além da produção de silagem e de grãos, a ILP possibilita que a pastagem produzida no consórcio seja utilizada durante a estação seca. A correção do perfil de solo proporciona melhor desenvolvimento do sistema radicular da forrageira que, assim, aprofunda-se no perfil e absorve água a maiores profundidades, conferindo ao solo maior persistência durante a estação seca (Alvarenga, 2004).

2.2.5 – Reduzir os custos, tanto da atividade agrícola quanto da pecuária.

Como há ganho em produtividade tanto das lavouras quanto das pastagens, menor demanda por defensivos agrícolas e melhor aproveitamento da mão-de-obra, dentre outros fatores, os custos de produção são reduzidos (Alvarenga, 2004, Maraschin, 1985).

2.2.6 – Aumentar a estabilidade de renda do produtor.

A diversificação de culturas nos sistemas de rotação e o aumento de produtividade conferem maior estabilidade de renda, pois diminuem os riscos inerentes ao cultivo de uma única cultura (Alvarenga, 2004).

2.3 – Modelos de renovação ou reforma de pastagens

A reforma de pastagem não é um assunto novo, mas apenas a poucos anos tem sido abordada de uma forma abrangente, devido à necessidade dos agropecuaristas em melhorar a rentabilidade de suas operações através da redução dos custos pela melhorias na eficiência de produção.

Dentre os diversos sistemas de renovação de pastagens são considerados três modelos: Sistema convencional, sistema Barreirão (Kluthcouski et. al, 1991) e sistema Santa Fé (Alvarenga, 2004).

2.3.1 – Sistema convencional

É um sistema simples de renovação, de baixa tecnologia, constando de uma calagem leve, gradeação e plantio/ adubação do novo pasto sendo um período previsto de renovação a cada 5 anos. É estimada uma lotação de uma cabeça por hectare, com um ganho médio de peso vivo de 0,5 kg/cab/dia, durante 240 dias por ano.

2.3.2 – Sistema Barreirão

Este sistema foi aperfeiçoado por Kluthcouski et. al (1991) a partir do sistema de preparo do solo invertido, adaptado por Seguy et. al (1984) no centro nacional de Pesquisa De Arroz e Feijão (CNPAF) da EMBRAPA.

A técnica consiste em dar início ao preparo de solo com grade aradora no período seco para diminuir o número de plantas estabelecidas de braquiaria e diminuir a resistência ás operações do preparo do solo posteriores. Em seguida, logo após as primeiras chuvas e com umidade adequada, procede-se a uma aração profunda de 30-35 cm com um arado de aiveca. Esta tem como objetivo colocar toda a camada orgânica e sementes de pastagem remanescente á profundidade de não germinação. Aos este preparo, que muitas vezes não requer mais gradagens, é possível o plantio de arroz, com sementes em uma das caixas e semente de adubo e braquiaria em outra caixa. A técnica consiste em plantio de arroz em posição mais superficial (2-3 cm) e o adubo e semente de pastagem mais profundas (8 cm) (Macedo e Zimmer, 1993).

O sistema foi desenvolvido, prioritariamente, para substituição de pastagens de B. decumbens por B. Brizantha cv. Marandu, que aproveitaria o efeito residual da adubação de arroz na renovação de pastagem. O efeito direto seria a possibilidade de se obter uma pastagem de melhor valor nutricional, aumentar a capacidade de lotação e principalmente amortizar os custos com a venda da produção de grãos de arroz (Macedo e Zimmer, 1993).

2.3.3 – Sistema Santa Fé

Recentemente a Embrapa Arroz e Feijão desenvolveu outro sistema de renovação de pastagem semelhante ao sistema Barreirão, denominado Sistema Santa Fé, que é o consórcio de uma cultura, especialmente o milho, o sorgo, o arroz ou a soja, com forrageiras tropicais, principalmente do gênero Brachiaria, embora os Panicum também sejam bastante utilizados, mesmo com o manejo do consórcio exigindo maiores cuidados. Este sistema apresenta grande vantagem, pois não altera o cronograma de atividades do produtor e não exige equipamentos especiais para sua implantação. O sistema consiste no plantio simultâneo do cereal e da forrageira ou no plantio defasado da forrageira, aproximadamente 20 a 30 dias depois da emergência do cereal. Esse sistema objetiva a produção de grãos ou de forragem do cereal, a produção de pasto no período da seca e a palha para o sistema de plantio direto, embora possa ser empregado em sistema convencional de preparo do solo.

Os procedimentos de plantio do cereal são os tradicionais. No plantio simultâneo, dependendo da espécie da forrageira, as sementes são misturadas ao adubo do cereal. É importante cuidar para que essa mistura seja feita no dia do plantio e regular a profundidade de deposição do adubo + sementes para maior profundidade, cuidando para que não ultrapasse o limite para que haja emergência das plântulas. É desejável estabelecer uma ou duas linhas adicionais de forrageira nas entrelinhas do cereal para melhor formação da pastagem, o que vai depender do espaçamento e do equipamento de plantio disponível. Outra possibilidade é o plantio defasado da forrageira em 20 a 30 dias depois da emergência do cereal: planta-se o cereal solteiro e, quando ele já estiver estabelecido, faz-se o semeio da forrageira. Outra vez, dependendo do equipamento, esse plantio pode ser com máquinas ou faz-se sobressemeio a lanço.

O manejo do consórcio não é muito diferente do da lavoura solteira. O controle das plantas daninhas e da forrageira no consórcio é da maior importância e deve ser feito com herbicidas específicos para folhas largas e com subdosagens de herbicidas para controle das plantas daninhas de folhas estreitas seletivos ao cereal plantado. Essa subdose de herbicida causa um estresse na forrageira, com paralisação temporária do seu crescimento. Isso permite que ela não concorra por nutrientes e água durante o período crítico de competição, que vai até os 50 dias.

Quando a forrageira se refizer do estresse, o cereal já estará bem desenvolvido, restringindo a penetração de luz. Com isso, a forrageira terá o seu crescimento limitado. No início do secamento das folhas do cereal, a forrageira voltará a crescer em maior velocidade. Então a colheita não deve sofrer atraso, pois a forrageira pode crescer muito e causar transtornos (embuchamento) na colheita. Depois da colheita, deve-se fazer um pastejo rápido de formação para estimular o perfilhamento da forrageira. Em seguida à saída dos animais, a área deve ser vedada por período suficiente para rebrota e crescimento até a fase do pastejo definitivo, que ocorrerá em 60 a 90 dias, dependendo das condições do clima. Caso o cereal seja colhido para ensilagem, a área é vedada em seguida até a época do primeiro pastejo definitivo.

Ao final do período de seca, a pastagem é vedada e, no início das chuvas, dessecada dando início a novo ciclo de consórcio em sistema de plantio direto ou convencional. Em muitos casos, agropecuaristas têm adotado essa tecnologia somente para recuperar ou reformar pastagens. Um programa de adubação de manutenção e de pastejo controlado tem permitido a utilização da nova pastagem por período indeterminado, com alta produtividade. Caso essa programação não seja executada, a nova pastagem se degradará em, no máximo, três anos, sendo necessário recuperá-la novamente, conforme já salientado (Alvarenga, 2004).

3 – IMPACTOS DA INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA NA PRODUÇÃO DE BOVINOS

A integração lavoura-pecuária apresenta como uma das vantagens o aumento da capacidade de suporte das pastagens e consequentemente uma maior produtividade animal quando comparado aos sistemas de pastagens degradadas (Tabela 1).

Tabela 1 – Capacidade de suporte e desempenho de bovinos recriados, em pastagens renovadas com diferentes estratégias e submetidas a uma pressão de pastejo de 7% em Brasilândia – MS.

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